EXCLUSIVO – O combate ao mercado marginal de proteção veicular foi tema de um debate acalorado e com muita participação do público, no segundo dia do 21º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, promovido pela Fenacor, na Costa do Sauípe.

Alguns sobre o mercado de proteção veicular, levantados por uma pesquisa da Ernest & Young, conduzida pelo seu sócio de serviços, Nuno Vieira, impressionam. É um mercado que movimento de R$ 7 a R$ 9 bilhões ao ano. Ele representa 27% do mercado de automóvel no Brasil, com prêmio médio de R$ 1800,00. São 687 Associações de Proteção Veicular (APV), que comercializam proteção veicular, com 4,5 milhões de associados pelo país, com foco na região Sudeste.

“O preço deles é mais competitivo, principalmente para veículos abaixo de R$ 40 mil, com serviços e coberturas veiculares. Há rateio de sinistros, se der lucro, fica para a associação; o prejuízo é distribuído entre os associados”, lembrou Vieira.

Os clientes são mais novos (30% entre 18 e 45 anos), 35% com renda abaixo de R$ 7 mil. A venda é feita principalmente por agentes, com indicações de clientes atuais e familiares como fonte de captura de clientes. As comissões variam entre 7% e 30%.O sócio

No dia em que se comemora o Dia o Corretor de Seguros, Robert Bittar, presidente da Escola de Negócios e Seguros conduziu a plenária, apontando que este é um momento de união de forças para atuação nesta frente. Murilo Riedel, CEO da HDI Seguros, disse que as associações, para ele, são um tipo de pirâmide, de golpe financeiro, que encontrou no mercado de seguros condições ‘facilitadoras’. “O crescimento médio dos prêmios caiu e a frota vem envelhecendo; além disso, o compartilhamento de veículos já é uma realidade e será cada vez mais relevante, com a penetração do seguro caindo de acordo com a vida útil do veículo. Uma superfrota de carros antigos vem daquela supersafra de 2012, que começam a ter menor penetração de seguros”, enumerou.

Estas afirmações serviram para embasar a teoria de que há mais veículos antigos no mercado e que é preciso regras mais flexíveis por parte do regulador para que o mercado possa criar produtos com capacidade de concorrer com as associações de veículos.

Roberto Santos, presidente da Porto Seguro e também do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro, apresentou uma pesquisa realizada com os veículos que chegam ao Pátio Legal, realizada em agosto de 2019. Ela mostra que 37% dos veículos restituídos são provenientes de proteção veicular e 23% de seguradoras. Dos recuperados em até 5 dias, 84% são via proteção veicular e 47% via seguradoras.

87% das pessoas que compram proteção veicular pagam via boleto bancário e 8% pagam em dinheiro. Apenas 13% fizeram proteção veicular porque as seguradoras recusaram. O nível de carros mais velhos e zero estão no mesmo nível.

“A principal frente de ataque é a comunicação com a sociedade , monstrando as vantagens do seguro. “Seguro não é mais caro””, afirmou Roberto Santos, acrescentando que cabe ao mercado e um ação conjunta. Ele lembrou que o fato das vendas serem feitas em maioria com boleto bancário mostra que poderia haver também uma ação dos bancos.

Luiz Gutierrez, presidente da Mapfre, disse que temos que tratar o assunto com seriedade, inteligência e planejamento estratégico. “No mercado, trabalhamos para proteger o segurado, protegendo o seu sonho do futuro. Temos 4,5 milhões de brasileiros que confiem nestas associações. Temos que estar todos alinhados, porque quando uma empresa destas fecha ela prejudica a imagem de todo o setor, inclusive o de seguros.Temos que trabalhar juntos, transmitindo à opinião pública o que significa isso, mostrando ao poder público qual é a perda de impostos”.

Por fim, o deputado Lucas Vergílio (Solidariedade-GO), disse que, após 3 congressos brasileiros, finalmente as seguradoras se importaram com o assunto. “Para mudar a cultura, temos que mudar a forma de abordagem deste tema. Não podemos falar de seguros como produtos financeiros. O impacto das associações de proteção veicular, como está hoje, é uma problema fiscal, sócio-econômico e de segurança pública, porque fomentam o roubo e furto de veículos”, apontou.

Sobre os corretores de seguros que comercializam os produtos de associações veiculares, Gutierrez disse que a autorregulação será uma arma para puni-los e que fiquem fora do mercado regulado. Roberto Santos afirmou que é hora de pegar pesado neste assunto contra as associações veiculares.

Riedel, para finalizar, chamou a atenção para os corretores que estão fazendo o RCF individual nas seguradoras, porque a probabilidade é alta de termos uma associação por trás disso.

“A autorregulação é uma das alternativas que buscamos por conta destes profissionais ruins, que existem em qualquer associação”, completou Vergilio.

FONTE: Revista Apólice